O Espelho

Leio, perdidamente,
O profundo livro que se me pôs à mão;
Ouço, longamente, à insana canção e
feliz, deixo, por um instante, de ser vão;

Levanto-me então altivo,
e vou à terra conquistar.
Sinto-me capaz, livre, bendito:
não há caminho que não possa trilhar.

Mas, acontece, e não há real motivo,
de no caminho o espelho estar.
Embebedado que estava pela esperança,
leva ainda alguns segundos até despertar

Em meu fulgor esqueci-me do que era,
e do que sempre me fez perecer.
Assim, de repente, tive que voltar à vida,
e o peso fez-me o corpo pender.

É que rapidamente vieram-me lembranças
de palavras, frases, olhares, sensações,
percorreram-me a alma com intensidade,
e levaram consigo minhas breves contemplações.

Coloquei-me então a fitar, tal qual criança,
A face feia no espelho:  Meus defeitos,
- minha incurável discrepância –
Meu eu, meu insólito viveiro.

Mas não foi longo o torpor,
É que em meus olhos logo brotaram lágrimas;
E o desdém amigo
Veio dissipar-me a dor.

~ por anjocaido em 05 02, 2010.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.