
Qualquer forma expressão verdadeira (aquela real, que nos arrebata e que diz mais do que simplesmente o que os outros querem ouvir) exige do homem profunda sinceridade. Exige que sejamos tão sinceros a ponto de acreditarmos em nós mesmos (e isso não é fácil!), mergulhando nos recônditos de nosso pensamento mais abissal. Só assim, só com essa profunda meditação, que é a sinceridade consigo, é que alguém pode produzir uma verdadeira obra, seja ela científica ou artística. Um homem só é capaz de produzir algo de profundo se ele mesmo for nas profundezas de seu ser.
Entretanto, não poucos são os que têm muito a contribuir: dar-nos obras sem par, ou mesmo – quem sabe? – revoluções no esquema de nosso mundo – mas que nunca o farão, porque são tolhidos pelas nove-horas e formalismos da criticidade limitada. Assim, esses homens, atordoados pela crítica-pela-crítica que ecoa de cabeças vazias, desistem, perdem a confiança naquilo que –sabem – os obtusos lutarão para desmoralizar, se abatem ante os críticos imaginários que esperam vir (e provavelmente virão) e a provável incompreensão.
Essa é, sem dúvidas, a pior forma de crítica - a prévia, aquela que antecede o crítico existente, mas o imagina, o pressente. Essa auto-limitação impede a verdadeira criação, o verdadeiro pensamento. Nos limita ao comum, nos aniquila enquanto humanos, enquanto pensadores.
O homem que cria não pode ser um crítico de tudo e de todos: isso destrói toda liberdade inerente, e limita o alcance do pensamento ao existente, ou mais: ao aplaudido. Para criar, (e aqui peço perdão para a frase que soa tão senso-comum) há de haver ousadia, rumar ao desconhecido. É preciso amar o saber de tal forma que permita ir além dos limites dotempo e do mundo.
O senso crítico é inerente a todos que pensam: é requisito para a elevação, sim, isso é fato. Porém, a crítica barata e desconcertante (a que vê mácula em tudo o que não é passado, em tudo o que não é glorificado pelos mortos) é o tom do pensamento dos homens que decoram os manuais da crítica literária, artística ou científica. São esses os homens que devem evitar os criadores, são essas idéias de que devem fugir os que pensam. Os verdadeiros artistas, os verdadeiros pensantes não podem construir assim. Só a sinceridade real permite a arte e o pensar.








